1. As raízes da devoção: antes da paróquia
Muito antes de se tornar uma paróquia autônoma, a comunidade do bairro Santa Catarina já se reunia movida pela fé. No início do século XX, quando Caxias do Sul ainda dava seus primeiros passos rumo à urbanização, os moradores da região se organizavam para rezar, celebrar e manter viva a tradição religiosa herdada de seus antepassados — em grande parte, imigrantes italianos e seus descendentes.
As primeiras missas eram realizadas em locais improvisados, como salões comunitários ou até mesmo casas de família. A religiosidade era parte do cotidiano, e a vontade de construir um espaço próprio para as celebrações crescia junto com o bairro.
2. A construção da igreja: um esforço coletivo
Foi em 26 de novembro de 1928 que os sonhos começaram a tomar forma concreta. Sob a orientação do engenheiro Sílvio Toigo, teve início a construção da tão aguardada igreja. Como em tantas outras obras comunitárias da época, o que fez a diferença foi o empenho dos próprios moradores.
Famílias inteiras colaboraram — fosse com trabalho braçal, doações de materiais ou organização de festas e quermesses para arrecadação de fundos. Era comum ver jovens ajudando no transporte de pedras, senhoras preparando alimentos para os voluntários e líderes comunitários coordenando os mutirões.
Menos de dois anos depois, em 21 de julho de 1930, a igreja foi finalmente inaugurada. A emoção daquela cerimônia ainda ecoa na memória coletiva do bairro.
3. Capela Santa Catarina: os primeiros passos
Naquele momento, a igreja ainda era considerada uma capela, subordinada à Paróquia Santa Tereza, no centro da cidade. Mesmo assim, ela passou a funcionar como o grande coração espiritual do bairro Santa Catarina. Ali aconteciam missas, casamentos, batizados, celebrações tradicionais e momentos de oração silenciosa — sempre com a participação ativa da comunidade.
Com o tempo, a capela se firmou como um espaço essencial na vida do bairro, e a necessidade de autonomia começou a surgir naturalmente.
4. O nascimento da paróquia
Foi somente em 25 de novembro de 1954, por decreto do então bispo diocesano Dom Benedito Zorzi, que a Capela Santa Catarina foi elevada oficialmente à categoria de paróquia. Era o reconhecimento de uma caminhada de fé construída com amor e perseverança ao longo das décadas.
O primeiro pároco nomeado foi o padre Orestes Valetta, que assumiu a missão de fortalecer ainda mais os vínculos entre fé e comunidade. Sob sua liderança, a paróquia passou a oferecer atendimento pastoral, catequese, grupos de jovens e atividades sociais que marcaram gerações.
5. Tradição, celebração e comunidade
A Igreja Santa Catarina se tornou, ao longo dos anos, muito mais do que um templo religioso. Ela virou um símbolo da identidade do bairro. As celebrações da padroeira, as quermesses animadas, as procissões pelas ruas e os encontros de grupos pastorais criaram um ambiente de acolhimento e pertencimento.
Mesmo quem não frequenta as missas regularmente reconhece o valor simbólico da igreja. É aquele lugar onde se batiza o primeiro filho, onde os avós comemoram bodas de ouro, e onde se busca consolo nos momentos difíceis.
6. Um legado que continua vivo
Hoje, a Paróquia Santa Catarina segue ativa, mantendo suas portas abertas à espiritualidade, à cultura e à solidariedade. Missas, cursos de formação, encontros com jovens, atendimento aos mais vulneráveis — a missão continua.
E a cada nova geração, a igreja se reinventa sem perder suas raízes. É ali que o passado e o presente se encontram, e que o bairro Santa Catarina reafirma sua identidade, construída com fé, trabalho e esperança.
Porque, no fim das contas, a igreja é isso: um reflexo do seu povo. E o povo do Santa é forte, unido e cheio de história para contar.